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Dona Lôla Loureiro mantêm viva a memória da Cultura Popular! |
A voz pode estar cansada e as pernas
exaustas para grandes caminhadas. O brilho nos olhos, no entanto, nos revela em
poucos segundos que estamos diante de uma autêntica guardiã da memória coletiva
de Santarém Novo. Dona Lôla Loureiro, 86 anos, é uma das mais antigas mestras da
cultura popular do município. Suas lembranças e histórias saem de sua boca com
a marca de quem, de fato, viveu de perto, durante muitos anos, as festas e
folguedos do lugar. O 13º Festival de Carimbó de Santarém Novo, fruto direto
dessa trajetória, pede licença respeitosamente a ela antes de começar.
“Desde criança que eu gostava de
brincar. Quando era mocinha, saía no Pássaro Ararajuba, na vila de Santo
Antônio”, recorda. Dona Lôla se refere ao cordão de pássaro, um tipo de teatro
popular tipicamente amazônico, no qual personagens como a “Guardiã do Pássaro”,
a “Fada” e o “Caçador” protagonizam os espetáculos. Sem esquecer dos “Matutos”, que arrancavam risadas dos
espectadores. Mas os anos de
brincantes, segundo ela, duraram apenas até se casar com seu Temístocles, mais
conhecido como Seu Bitoca, que dá nome à Biblioteca Municipal da cidade. Em
Santarém Novo, um dos pássaros encenados por dona Lôla e seu Bitoca, era a “Ave
do Paraíso”.
O marido era ensaiador de brincadeiras
como o Cordão de Pássaros e os Pretinhos, manifestação que consiste em cantos e
danças de meninos vestidos de homem e mulher, e que estará na programação do
festival. Dona Lourdes passou então a trabalhar com os figurinos dos atores.
“Eu desenhava os modelos e entregava para as famílias costurarem para os seus
filhos. Todos faziam a sua parte. Hoje as pessoas só querem se tiver algum
apoio e as meninas têm vergonha”, constata. Mas nada de lamentações, né, Dona
Lourdes? “Eu tinha era muita vontade de fazer ainda, só que não posso mais. Quem
continua agora são os meus netos”.
O baú de histórias é imenso e a
simpatia, também. Em um final de tarde, após tomar um tacacá na banca de Dona
Irene, procure saber onde fica a casa de Dona Lôla. Peça a sua benção, sente-se
ao lado de sua cadeira de balanço. Em poucos minutos, você descobrirá a razão
de Santarém Novo ser uma cidade que merece ser visitada.
E
não esqueça. Para contribuir com o Festival de Carimbó de Santarém Novo é só
participar do financiamento coletivo no site Kikant ( http://www.kickante.com.br/campanhas/festival-de-carimbo-de-santarem-novo-fest-rimbo-0). A cultura popular paraense agradece.
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