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Mestre Bento Pimentel, da Vila de Bacuriteua, um poeta do carimbó. |
“Uns falam isso, outros falam
aquilo. A verdade é que o carimbó é uma força da natureza. É a fauna e a flora
juntas. Por isso que a pessoa que escuta sente vontade de ter contato com a
terra, de dançar descalça”. Quem nos explica é o Mestre Bento Pimentel, morador
da Vila de Bacuriteua, que fica próxima à Santarém Novo. A natureza é a grande
inspiradora de suas criações. Durante o Festirimbó, compositores de diferentes
estilos e gerações se unem para espalhar seus versos carregados da cultura
ribeirinha da Amazônia aos ouvidos dos visitantes.
Antônio Máximo, mais conhecido
como Toninho, faz parte de um grupo de jovens músicos chamado “Herdeiros da
Tradição”, o único do município a ser premiado durante o festival. Ele nos
conta que seu ofício de compositor nasceu inspirado pelo próprio Festival, mas,
inicialmente, ainda estava muito ligado a outros ritmos como o rock´n roll.
Hoje, após 12 anos de trabalho e 20 composições originais, o nome do grupo
ganha mais sentido. “Atualmente tocamos o carimbó de raiz, de pau e corda. E
não nos consideramos “artistas” não, isso é coisa pra quem tem apoio. Nós somos
tocadores de carimbó”, afirma.
São muitos os temas das letras
cantadas no barracão da Irmandade de São Benedito. O Mestre João Cabeção, da
Vila do Pacujá, destaca duas personagens míticas como grandes motivadoras de
canções: a Sereia e a Princesa. “É difícil você encontrar um grupo que não
tenha uma música sobre elas”, nos explica ele após cantar um carimbó “de
Sereia”. “Rapaz, a gente não vê, mas a gente inventa e faz o negócio. Acho que
ninguém ainda não viu. Mas eu acredito que tenha, né? Porque os velhos, meu
pai, contavam essas histórias de sereia”, relembra.
Segundo o Mestre, para fazer um
carimbó, é preciso estar em silêncio, quieto. “Ah, isso custa um pouco, né? Não
é numa hora que o cara faz pra criar uma música”. Deve ser assim, no sossego de
um roçado ou à beira do forno de farinha, que a força da natureza vem soprar
aos ouvidos dos poetas suas novas cantigas. Quer vir conhecer de perto as
melodias e seus mistérios? É só ir à Santarém Novo nos dias 18, 19 e 20 de
dezembro. Quem sabe as entidades dos rios e das matas também não lhe contam
segredos?
Não esqueça. Para contribuir com
o Festirimbó é só participar do financiamento coletivo no site Kikant (http://www.kickante.com.br/campanhas/festival-de-carimbo-de-santarem-novo-fest-rimbo-0). A cidade lhe aguarda.
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